Contacto – Aprilia Tuono V4 1100 Factory – Elixir da juventude

Durante os últimos anos temos vindo a testar cada vez mais motos racionais, económicas e politicamente corretas. Depois temos oportunidade de conduzir / pilotar a nova Aprilia Tuono V4 1100 Factory e lembramo-nos porque somos apaixonados por motos desde a adolescência. Uma moto de puro prazer de condução que nos faz pensar que… afinal não estamos assim tão velhos!

Por Fernando Neto / Fotos Paulo Calisto

A Aprilia Tuono é já bem conhecida pelos leitores da Motos, pois temos vindo a acompanhar as várias melhorias no modelo ao longo destes últimos anos. No entanto, convém relembrar que esta naked radical – que tem tanto de desportiva como de streetfighter – foi lançada na sua primeira geração já em 2002, na altura baseada na RSV Mille, uma desportiva equipada com motor V2. Tanto o modelo desportivo como a naked foram evoluíndo ao longo dos anos, tanto em termos de potência de motor como de ciclística (sem esquecer a parte da eletrónica), pelo que chegamos a 2019 com esta versão Factory a ser a atual topo de gama dos modelos Tuono.

Suspensões de topo…

Em destaque continua a estar o motor V4 a 65 graus, de debita 175 cv de potência máxima às 11.000 rpm e um binário de 121 Nm às 9.000 rpm. Um motor bem conhecido, já há muito utilizado na competição, embora na naked não apresente a mesma potência da RSV4. Possui tecnologia Ride by Wire e três mapas de gestão do motor (Sport, Race e Track), mas a grande novidade neste modelo é no entanto a evolução eletrónica, pois esta Factory conta com o avançado sistema Ohlins Smart EC 2.0 nas suspensões, em que o interface OBTi permite fáceis ajustes na belíssima instrumentação TFT de 4.3 polegadas. Esta tecnologia utiliza um avançado algoritmo que otimiza o comportamento da moto de acordo com as afinações e pilotagem do condutor, para a melhor dinâmica possível sem descurar o conforto. Desta forma o condutor pode escolher entre três modos semi-ativos (do mais macio para o mais duro), e três modos manuais, mas sempre facilmente ajustáveis no punho esquerdo, mesmo em andamento. Além disso, todos estes seis modos permitidos pelas suspensões Ohlins são customizáveis num submenu que oferece outras opções, para escolhas quase infinitas. Estas Ohlins NIX acabam por ser completamente reguláveis como outras (pré-carga, compressão e extensão, com 125 mm de curso), simplesmente têm gestão eletrónica, tal como o amortecedor traseiro, este com 130 mm de curso. O amortecedor de direção Ohlins possui também gestão eletrónica.

…E equipamento top

O sistema APRC (Aprilia Performance Ride Control) continua a ser o cérebro desta naked, e se o entenderem podem levar sempre muita informação para casa através da ligação bluetooth que existe entre o painel TFT e o smartphone .

Pois bem, na gestão eletrónica do sistema APRC encontramos então o ATC (ApriliaTraction Control), AWC (Wheelie Control), ALC (Launch Control), AQS (Quick Shifter), ACC (Cuise control), APL (Pit Limiter) e Cornering ABS, com todos os sistemas operados de forma independente. No meio de toda esta parafernália, e apesar de termos à disposição um TFT que parece o tablet lá de casa, continua a faltar… um indicador do nível de combustível!

Ainda em termos de equipamento, nota para o conjunto de travagem também de topo, com discos dianteiros de 330 mm e pinças radiais Brembo Monobloco M50 de 4 êmbolos, com tubos em malha de aço. Possui sistema ABS da Bosch, com função em curva, três afinações distintas e com sistema anti-levantamento da roda, desconectável. O peso a seco é de 185 kg e o assento está a 825 mm do solo.

Em pista

Começámos por andar em pista com a Tuono, durante um track-day efetuado no Autódromo do Estoril, e estávamos curiosos quanto à sua dinâmica pois nunca tinhamos andado com este modelo em circuito. Mesmo não sendo das motos mais pequenas do segmento a agilidade é assinalável, e a posição de condução é excelente. É óbvio que na reta da meta temos que nos agarrar com muita força ao guiador perante a força do vento – até porque é posssível ultrapassar os 265 km/h neste ponto – mas nos restantes locais a Tuono não cansa nada, bem menos que uma tradicional desportiva. Em especial nas curvas mais lentas o guiador largo dá bastante jeito, pelo que esta V4 cumpria a zona da variante com uma rapidez assinalável, mas acima de tudo, o divertimento é sempre elevado! Mesmo sendo muito eficaz de suspensões (convém usar as afinações mais duras do modo semi-ativo ou manual) mexe-se sempre um pouco mais que a RSV4 e pode não ser tão eficaz na obtenção de tempos, mas ainda assim é bem eficaz, fácil, e acima de tudo tremendamente divertida. O motor chega e sobra, tendo em conta que é uma naked, e a travagem é muito potente e progressiva, sendo necessário abusar muito para se sinta a manete ligeiramente esponjosa. O quickshifter bidirecional é uma maravilha, sendo apenas ligeiramente mais lento que o da irmã super desportiva, assim como os pneus Pirelli Diablo Supercorsa SP.

Em estrada

Dias depois, já em estrada, pode-se dizer que as sensações foram ainda mais avassaladoras. Por um lado, apresenta um assento muito elevado, a brecagem é reduzida e a caixa de velocidades possui as primeiras relações algo longas. E andando à chuva, como nos aconteceu, os Diablo quase slick também exigem cuidados redobrados (felizmente toda a eletrónica dá uma boa ajuda). Além disso, apesar de ser uma naked, a posição é algo cansativa na cidade ao nível dos pulsos, pelo a Tuono não é propriamente a melhor utilitária no dia-a-dia. Permite uma utilização casa-trabalho e vice-versa com normalidade, mais facilmente do que com uma desportiva, mas é com bom tempo, estrada aberta e boa disposição da nossa parte que tudo se transforma. E aí a Tuono é incrível, uma das mais brutais para os nossos sentidos. O motor V4 é suave mas cheio de carácter, com uma resposta fortíssima nos médios e altos regimes, e a ciclística permite tudo, em que o mais difícil é mesmo manter a calma e rodar de forma tranquila.

E se na pista o modo de condução Race foi o nosso preferido, em estrada o Sport (na cidade e à chuva) e o Track (a seco em estrada) foram os nosso preferidos. Quanto às suspensões, o modo semi-ativo intermédio (na dureza) foi o nosso eleito para rodarmos no dia-a-dia, onde a Tuono realizou uma média de 7 l/100 km. Mas andámos bem depresa, confessamos, sendo possível fazer bem menos até porque o motor parece estar muito mais perfeitinho a nível de injeção do que no passado.

Em estrada o quickshifter é também um bom aliado, mas não em ritmo de passeio. Aliás, tudo nesta moto parece funcionar ainda melhor quando andamos cada vez mais rápido. Esta Tuono atingiu de facto um nível elevadíssimo de qualidade, e de olharmos para a sua potência e equipamento (ciclística e eletrónica, em que muito ficou por dizer), percebemos que esua moto nem é de facto cara. É sim uma moto entusiasmante, viciante até, e permite momentos de puro prazer de condução, em estrada ou na pista. Não é a moto mais politicamente correta do mercado, muito longe disso, mas divertimo-nos mesmo muito custou bastante ter que a entregar no final do teste…

 

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