“Less is More”. A história do motociclo em exposição no Centro de Artes de Águeda

A exposição “Less is More” foi inaugurada a 17 de fevereiro, pelas 18 horas, no espaço expositivo do Centro de Artes de Águeda.

A exposição, com curadoria de Emanuel Barbosa, apresentou uma retrospetiva histórica do motociclo no século XX no mundo e em Portugal, com especial enfoque em Águeda, proporcionando uma visão panorâmica da produção nacional, das características destes veículos e da sua utilização. De veículo de lazer a veículo de trabalho, de exercício tecnológico a utensílio indispensável para o desempenho de atividades essenciais à sobrevivência de populações inteiras, o motociclo metamorfoseou-se e tornou-se num elemento indispensável na nossa sociedade contemporânea.

Com o final da II Guerra Mundial surge na Europa a necessidade de desenvolver veículos com baixo consumo de combustível. Sendo o automóvel uma miragem para a maior parte das famílias, os motociclos de pequena cilindrada apresentam-se como uma excelente forma de mobilidade individual por ser o único veículo motorizado com custos compatíveis com os baixos salários praticados e com a reduzida taxa de alfabetização.

Ao mesmo tempo, em Portugal, assiste-se a uma mobilidade dominada pelo ciclomotor conduzindo ao surgimento de diversas empresas que começam a produzir os seus ciclomotores, acoplando todo o tipo de motores nacionais e importados a montagens nacionais.

O epicentro desta atividade económica foi na região de Águeda, Sangalhos e Aveiro. As características geográficas, a tradição metalúrgica e o empreendedorismo local levaram ao surgimento de inúmeras indústrias e comerciantes de bicicletas, motores e motorizadas, bem como de todo o tipo de componentes. Menos complexidade, baixo custo de produção e de manutenção foram fatores de sucesso para a democratização dos veículos motorizados de duas rodas.

Em Águeda, a indústria não é um fenómeno recente. Em 1911 nascem as primeiras empresas de componentes para bicicletas. Mas seria entre 1946 e 1965 que surgiriam empresas do chamado sector das duas rodas à razão de uma por ano, no fabrico de motociclos, motores e componentes. Pese embora a indústria Portuguesa não ter conseguido manter a competitividade face à agressiva concorrência internacional e o sector dos motociclos ter entrado em declínio, sobretudo a partir dos anos 80, Águeda demonstrou uma enorme capacidade de renovação e de adaptação às novas exigências de mercado. O dinamismo produtivo fez com que predominassem, até aos dias de hoje, empresas de pequena dimensão, constituídas por empresários locais, altamente especializadas.

Para além dos empresários locais, importa referir alguns agentes coletivos locais que têm tido um papel crucial no desenvolvimento industrial, como sejam as Associações Industriais.

A ideia da exposição foi precisamente proporcionar aos visitantes uma experiência cultural, conduzindo-os numa viagem pela história do motociclo, possibilitada quer pelo acervo documental apresentado (catálogos, documentos, fotografias) quer pelo visionamento de vários modelos de motociclos. São mais de 80 motos, de marca portuguesa e estrangeira (Alemanha, Itália, França), que fazem parte do espólio de algumas entidades como a ABIMOTA ou de coleções privadas que o visitante teve oportunidade de ver.

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