Sym Wolf 250i

Sym Wolf 250i

Que venha o lobo!

E soprará, e os preços das 250 derrubará. Pelo menos é essa a aproximação da Sym com este modelo, pelo que os outros fabricantes com motos desta cilindrada têm motivos para ficarem sentidos. A Wolf é uma boa 250 cc, polivalente, com aspeto e acabamentos de moto de maior cilindrada, apresentando o preço de algumas 125 cc.

POR Daniel Navarro • Fotos Miguel Méndez

A Sym é, desde há algum tempo, uma das grandes marcas mundiais. Uma empresa de Taiwan que, além de motos e scooters, fabrica componentes para automação em geral e até mesmo para os automóveis Hyundai. Não é, apesar do que às vezes se poderá ouvir por aí, uma marca secundária, de baixa qualidade e baixo preço, não. A Sym já fabrica motos há muitos anos e, como se sabe, para vender na Europa e não desaparecer em poucos anos, há que fazer bem as coisas. São de Taiwan, têm a capacidade de fabricar a um custo inferior e fazer a própria estratégia de preços, algo semelhante aos seus compatriotas da Kymco. A grande diferença entre as duas marcas é que a Sym não se quis limitar às scooters. Fabricam sim motos, scooters, quads e inclusivamente ‘cubs’ (scooters com quatro velocidades de pé, tão típicas na Ásia e similares ao modelo Innova da Honda), e dentro da gama de motos, o último a chegar à Europa foi a Wolf, de 125 cc e depois depois a moto destas páginas.

Algo tímida

À primeira vista sim. É uma naked, de aspeto desportivo, com uma linha atual. Mas não vem romper com nada nem marcar nenhuma tendência, embora não se inspire noutras naked de baixa ou média cilindrada atuais, pelo que é uma máquina de estética agradável. O motor é um monocilíndrico, possui injeção electrónica, é refrigerado por líquido e possui cabeça de quatro válvulas comandadas por uma árvore de cames. A caixa de seis velocidades foi desenhada em específico para este modelo e monta um veio de equilíbrio que reduz as vibrações. Debita 25 cv de potência às 7500 rpm, com um binário de 23,1 Nm às 6000 rpm, cifras bastante interessantes e em linha com a concorrência.

Na ciclística, o quadro possui tubos em aço, mas a sua maior particularidade é estar completamente escondido: é preciso uma lupa para ver algo mais que o braço-oscilante. Do lado direito, a meia altura, leva uma ‘moldura’ metálica que imita uma trave do quadro, servindo apenas como um adorno. Também na secção dianteira do depósito esconde o quadro até à coluna de direção: de resto, esta Sym é bastante modesta na hora de ensinar. Temos em termos de suspensões uma forquilha convencional e um mono-amortecedor sem bielas, e para travar, dois discos ondulados, com o dianteiro ‘mordido’ por uma pinça radial.

Esta é uma moto de tamanho razoável para uma 250. Não é enorme nem pequenas demais,  apenas maior do que o normal nesta cilindrada. Porém, não é excessivamente pesada, pelo que é maneável, curva bem e move-se com facilidade nas manobras e a baixa velocidade.

O assento é confortável, existe espaço de sobra e a postura é natural. À nossa frente, um depósito de combustível  que é praticamente de moto grande, que leva 14 litros de gasolina, e uma instrumentação  bastante original, em tons de azul. Este painel possui na zona circular analógica um taquímetro e, em formato digital, podemos ver a velocidade, quilometragem e informações que podes mudar, como o voltímetro e as horas. Possui indicador de mudança engrenada e nível de gasolina, mas não tem nível de temperatura do motor, apenas uma luz avisadora.

_mik9491

Correta

A baixa velocidade a Wolf não vibra demasiado, mas nota-se que estamos perante um monocilíndrico. Sobe bem de rotação e não é uma moto preguiçosa, embora esteja longe de ser uma desportiva. A sua construção apresenta um estilo ´sport´,  e apesar de apresentar uma imagem desportiva, é uma moto para todos os dias , com capacidade para oferecer bons momentos em zona de curvas. Embora, seja claro, não é uma ‘RR’. Mostra estabilidade em estrada e é capaz de andar mais do que pensas: possui uma função na instrumentação que memoriza a velocidade máxima alcançada, e a nossa indicava os 159 km/h. E é fácil perceber porquê, pois a velocidade de cruzeiro a rondar os 120 km/h é fácil de alcançar, e a 6ª velocidade é bastante longa. Também é verdade que, quando utilizamos as rotações mais elevadas aumentam as vibrações, que não chegam a ser demasiado incomodativas, mas que se sentem nas mãos e nos pés. E naturalmente que, ao ser uma naked terás que te agachar, se não terás uma luta contra o vento.

O conjunto de travões cumpre sem brilhantismo. A pinça radial realiza o seu trabalho, mas não é mordaz como acontece nas propostas mais desportivas. É sim uma travagem progressiva, e se necessário basta aplicar mais força, enquanto que atrás cumpre bem a sua função, bloqueando depois a roda se exagerarmos na força aplicada no pedal. As suspensões seguem a mesma regra, são suaves e cómodas, mas suficientes para aplicar uma condução mais alegre, que pode bem ser aplicada a esta Wolf.

Artigos relacionados

Honda CRF 1000L Africa Twin

Ano após ano, os muitos admiradores da XRV 750 foram ficando algo dececionados com a não aparição de um novo modelo na marca que substituísse verdadeiramente a Africa Twin. Passaram 13 anos e a nova moto é tão bela quanto a ‘antiga’ mas com as evoluções tecnológicas que mais de uma década trazem. Não é cara e o comportamento dinâmico é o de uma verdadeira trail!

Honda NC750X DCT/Integra

A famosa utilitária da Honda recebeu este ano na sua versão X um estilo mais aventureiro e uma série de melhorias que a tornam numa moto mais moderna e apetecível. Fomos conhecê-la na versão DCT – sistema que foi também melhorado – e no mesmo dia rodámos igualmente com a Integra, a “scooter-moto” que foi também revista para este ano. Motos versáteis e que se adaptam que nem uma luva, em especial, aos que dão os primeiros passos nas duas rodas.

Buell 1125R

Se em Itália sempre houve uma longa tradição de motos super-desportivas de dois cilindros, por que não fazer algo para enfrentá-las? Moto de nicho, a 1125R e a sua versão naked (CR) foram os últimos produtos do carismático fabricante norte-americano Buell, sob a alçada da Harley-Davidson, antes da marca fechar portas.