Teste – Lambretta V125 Special

Preferes uma Vespa ou uma Lambretta? Durante décadas, este deve ter sido o tópico de conversa de muitos europeus que se dividiam entre a devoção à Vespa e a afeição à Lambretta.

Esta rivalidade italiana não só marcou gerações de “jovens” como ajudou a impulsionar o segmento das scooters. Apresentada em Milão, em 1947, a Lambretta nasceu sob a alçada da Inoccenti e o primeiro modelo foi a A, ou 125M, com um monocilíndrico refrigerado a ar e uma caixa de três velocidades operada pelo pé.

Em 1950 surge o modelo C, o primeiro a utilizar o famoso quadro tubular em aço. Muitas vezes vista como uma espécie de “cavalo de batalha”, por oposição à Vespa que seria a congénere mais urbana e elitista, a Lambretta manteve uma legião de adeptos que ainda hoje vibram com as suas máquinas em inúmeros clubes e grupos organizados.

Mais de sete décadas após o nascimento, depois de muitos sucessos e outros tantos reveses, a Lambretta está de regresso e, a julgar pelas impressões neste teste à versão V125 Special, estarão presentes todos os ingredientes que ajudaram a tornar os modelos originais tão icónicos.

Design italiano
A começar, desde logo, pelo desenho. Modernizado, obviamente, e com a adição de elementos atuais como a iluminação integralmente em LED, mas mantendo, ainda assim, uma silhueta inimitável e que imediatamente associamos aos modelos da marca. O painel de instrumentos, que combina elementos analógicos (velocímetro) e digitais, é de fácil leitura, embora preferíssemos ter o taquímetro na escala superior e o velocímetro, com números generosos, no elemento digital. Mas nada que um curto período de adaptação não resolva.

A ergonomia é outro atributo em destaque com detalhes como os piscas com sinalização sonora, a revelarem uma grande atenção ao detalhe. Mas não é o único elemento diferenciador. Além do belíssimo conjunto de chaves extra que são apresentados numa caixa específica (um pormenor de design tipicamente italiano), o porta-objetos sob o banco tem a forma de uma espécie de balde que, quando retirado, permite o acesso direto ao motor. Uma solução muito prática.

Por falar nesse espaço, apesar de muito útil, a capacidade disponibilizada é relativamente contida e só permite acolher um capacete do tipo aberto (jet). Ainda assim, é suficiente para os objetos de uso diário e para umas pequenas compras ocasionais. À frente temos ainda um pequeno porta-luvas que acomoda uma carteira e um telemóvel e que “esconde” uma tomada de USB que permite carregar o telefone ou outro dispositivo eletrónico.

A própria posição de condução é muito confortável e os comandos principais são fáceis de operar e estão “estrategicamente” colocados. O farol dianteiro, como referimos, é em LED e garante uma excelente capacidade de iluminação. O banco é firme, sem chegar a ser desconfortável, e bastante largo, assegurando um excelente apoio para condutor e passageiro. A altura do mesmo ao solo (800 mm) e a referida largura podem colocar algumas dificuldades a pessoas de menor estatura, mas acima dos 1,60 metros não deverá acusar grandes problemas em manobrar a scooter ou garantir uma base firme de apoio.

Pequeno no tamanho, grande na vivacidade
Outra boa surpresa é a vivacidade do pequeno monocilíndrico refrigerado a ar e baseado numa unidade da marca SYM. Com cerca de 11 cv de potência (10,3 Nm de binário), alcança com imensa facilidade os 99 km/h de velocidade máxima (105 km/h no velocímetro) e, mesmo a dois, mantém velocidades próximas dos 90 km/h com relativa descontração. Mais importante é a forma enérgica e decidida como responde às solicitações do punho direito, com o variador (caixa CVT) a mostrar uma resposta pronta e relativamente fluida. Os arranques nos semáforos fazem-se com decisão, deixando para trás o resto do tráfego e ganhando velocidade com enorme facilidade.

As suspensões são firmes em pisos mais degradados (empedrado, por exemplo, ou na transição de juntas de dilatação), mas sem comprometer o conforto e com a vantagem de, juntamente com as rodas de 12” calçadas com pneus Pirelli, tornarem a Lambretta muito ágil nas mudanças de direção e com um comportamento muito previsível.

Uma nota ainda para a ausência de vibrações de uma forma geral e em particular nos espelhos retrovisores.
A travagem, confiada a dois discos, um por eixo, peca pela ausência de ABS, embora conte com sistema combinado (CBS) e apresente uma excelente potência de ataque, ampliada pelos fantásticos Pirelli que “colam” a V125 Special ao piso.

A Lambretta anuncia consumos médios de 2,5 l/100 km o que, com um depósito de 6 litros, deverá garantir uma autonomia bem superior a 200 km, mas esta é teórica e vai depender muito do ritmo adotado, sendo que sem grandes pruridos no recurso ao acelerador, terá grandes dificuldades em fazer duas centenas de quilómetros sem entrar na reserva…

Em suma, a Lambretta não será a scooter mais económica na compra ou na utilização, mas é seguramente das mais divertidas e das mais apaixonantes o que, tendo em atenção o público-alvo desta V125 Special, será com toda a certeza um argumento decisivo.

 

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